terça-feira, 14 de outubro de 2008

Oferta para o nosso Presidente

De BELÉM … veio o BURRO!

Estava eu numa noite, de algumas noites calmas passadas no Convento, quando ouço alguém, em jeito de aflição, e insistentemente, anunciar uma Boa Nova, embora não perceptível no momento.
Assiste-se, de imediato, à saída de todas as freiras dos seus aposentos que, da meditação passaram a um grande alvoroço, e questionavam, reunidas, o acontecido! O homem que gerou esta enorme confusão, fez-se perceber e, finalmente, concluímos que havia chegado um BURRO, ao largo da Igreja. E lá fomos acudir aos suplícios do desgraçado homem que, em apuros, pedia auxílio.
Chegada ao local, bem perto da escadaria da Igreja, via-se um BURRO acompanhado de 3 pessoas que, na escuridão da noite, não se destacavam do animal.
E o homem, agoniado, sem saber o que fazer, apenas dizia que … vinha de BELÉM …, que o BURRO vinha de BELÉM, e … nada mais acrescentava!
E, quando se acalmou, explicou que tinham encontrado o BURRO, lá para os lados de BELÉM (Canada), e que se fizerem ao caminho. Não compreendi, na altura, qual o intuito de tal incursão, mas percebi, com grande clareza, que o traçado da viagem tinha sido bem delineado!
E, embora, um pouco combalidos com a caminhada que, pelo que me apercebi, não terá sido nada, mesmo nada fácil, qual travessia no deserto, sentia-se a alegria que expressavam por terem chegado finalmente ao destino, ou quase…!
O animal, coitado, estava exausto! Completamente esgotado de tão penosa andança!
E depois dos viajantes serem assistidos pelas freiras, nos tão necessitados primeiros cuidados, pude verificar que era a SAGRADA FAMÍLIA que tinha chegado!
Fiquei abismada com tão bem retratado QUADRO.
Não sei se foram bater a várias portas e se elas se fecharam! Desconheço, esta parte.
Lembro-me que não havia nenhuma estrela a destacar-se. Quem brilhava mais que as cintilantes ideias do Solipa, do Níger e do Menano?
O Solipa, era S. José, recordo-me bem, pois foi quem procurou albergaria e ajuda para o acontecimento. E, foi ele que bateu à porta do Convento e por lá entrou, a dar notícia do sucedido, numa ânsia de quem procura socorro.
Compreendi a sua aflição assim que vi o BURRO e a SAGRADA FÁMILIA. O menino tinha nascido pelo caminho e a sua mãe estava ainda transtornada e exausta de tão difícil parto, pois o bebé era deveras grande demais!
E embora não sendo pai da criança, o pobre homem acarretava esta responsabilidade.
Não me consigo recordar com exactidão, qual deles era o menino e qual era a sua progenitora. Mas, atrevo-me a aventar, e estou quase certa que, a esposa de S. José era o Níger. Que me corrijam se estiver enganada!
Pois não é que depressa se compôs do parto e quando se viu amparado, com os que entretanto vinham visitar o menino, deixou-o aos cuidados dos visitantes, tendo focado todas e as suas atenções no BURRO!
E o burro, como todos, negava-se a responder às ordens dadas. E os viajantes, distanciavam-se do bicho, alguns metros, e vinham a correr, tal como de fosse para executar um salto em comprimento, mas finalizando-o em cima do animal. E os visitantes também aderiram a esta modalidade. Lembro-me da Nanda também nas corridas para o burro. E o desgraçado do bicho chegou a ser montado, ao mesmo tempo, por 3 atletas!
E chegou o momento em que ele já abria as 4 patas para os lados, quase aproximando-se do chão.
Mas, a consciência começou a pesar e logo pensaram em dar guarida ao animal. E não havia local melhor que o Convento!
Iniciou-se então o cortejo, bem penoso e demorado! O burro, nem por nada queria andar, mas … lá chegou bem perto das portas do Convento. E houve quem abrisse a banda lateral da porta, que estava aferrolhada, fazendo com que a abertura facultasse a largura e a burrice do animal. Mas, ainda havias uns degraus até lá chegar. E o burro, já em declive, era empurrado, com todas as forças que os peregrinos podiam exercer, mas a tarefa afigurava-se cada vez mais árdua.
A noite já se ia prolongando pela madrugada, com os ânimos entusiasmados a exaltarem-se e as vozes iam subindo de tom!
O que se seguiu, já foi contado, via comentário, pela Helena Flor de Lima, que passo a citar:“ Tia Mary apareceu na janela de cima, a espreitar dizendo "Isto parece uma casa de gente doida".
Pois foi, tal e qual. Já não me recordo de alguns pormenores que aconteceram após este momento. Como é que eles se desenvencilharam do bicho?
Tenho a vaga ideia de que burro ainda andou na zona circundante alguns dias!
E foi assim que se passou mais uma noite, das muitas inesquecíveis, na Terra Chã!
Deixo agora os pormenores da “captura” do animal e da famosa viajem, e outros se me escaparam, para o Solipa e o Níger contarem que, certamente, darão uma preciosa postagem, ou duas!

22 comentários:

Manuel Loureiro disse...

Excelente Graciete, quase devíamos compilar as histórias dos burros na terra chã, e olha que à muitas, infelizmente não possuo os dotes de oratória da nossa excelsa colega, nem tão pouco as ligações neurónicas se mantêm ao nível das suas e as falhas de memória acentuam-se. Contudo, recordo, ainda que mal, algumas historias de burros, como uma que penso será passada com o Bioucas, colega do tempo do Marques que estando a estudar na Terra Chã e na deslocação natalícia, recebe de oferta da sua avó dinheiro para comprar um burro para que não se desloque a pé para a universidade, algo que com mais pormenores poderá ser melhor contado por outros, recordo ainda outra vez, e já no ano do Pedro Conde, em que enfiaram um burro no antigo lar masculino da terra chã, na ala velha da antiga morgue, onde depois de ser embebedado o burro com aguardente de medronho do Henrique Rosa e vestido com a toalha amarelo torrado de uma mesa redonda que por lá havia, acabou deitado na cama do Paulo Rebelo com o dito.
Que me corrijam, que me desenganem, que isso sirva para se sentirem estimulados a participar e dessa forma completem estas e outras historias.

Graciete disse...

Manel,
É verdade! Lembro-me de ser contada esta última história.
Não há ninguém que a conte? Os que andavam por lá, ou outros que a saibam? É como tu dizes há tantas histórias.
Conta-a tu, Manel. Qual jeito, qual coisa! É preciso é contar, porque depois vão desencadeando outras que estavam mais esquecidas.
Lembro-me de contarem, os mais antigos que eu, não muito, de haver um colega nosso, penso que não o conheci, que escrevia um telegrama a dizer: "Saudades para aí dinheiro para aqui", ou algo muito parecido.

Luis Rocha Homem disse...

ehehehe Manel
essa historia é hilariante pa!!!!
ehehehe

Presidente disse...

Graciete,
Obrigado!
Que posso dizer mais?!
Obrigado! Muito Obrigado!
Joaquim Marques

Graciete disse...

Presidente,
Fico grata por teres gostado.
Beijinhos

São Filipe disse...

Caro colega Joaquim Marques,
É com orgulho e saudade que visito o blog e dou os parabéns a esta excelente iniciativa.
Entrei na Terra-Chã no ano lectivo 1986/87 e saí em 91/92; e como o mês de Outubro é especial para muitos, para mim também o é pois faz hoje 22 anos que aterrei pela 1ª vez na Terceira (juntamente com o Paulo Carvalho, Tó Rino e Sandra Romeliotes ??), e quis o destino que fosse ficando por cá.
O meu contacto é o seguinte:
conceicao.filipe@mail.telepac.pt.

Ainda não sei fazer postagens, mas prometo que vou que aprender, e vou também contar algumas histórias devidamente documentadas com imagens.

Um abraço a todos, em especial aos pioneiros deste blog.
São Filipe.

Teresa Valdiviesso disse...

Graciete, adorei a tua história do burro e respondo-te com uma postagem do mesmo assunto...
beijinhos

Adelaide disse...

São, parece que foi ontem, então relembrando e vivendo estas hitórias, o passado torna-se cada vez mais presente! Foi bom o que vivemos mas ainda é melhor saber que o aproveitámos! Bemvinda! Agora falta o Paulo e os restantes marotos que só espreitam!

Graciete disse...

Teresa,
Estou à espera que S.José e a sua esposa se manifestam!
Ao menos estes...
Beijinhos

Teresa Valdiviesso disse...

Graciete...
Devem estar atrapalhados com o menino... Deve andar a dar-lhes água pela barba! :-)

Alberto Freitas disse...

Graciete sempre a mesma esperando que todos façam o trabalho de casa como ela. Penso que vais ter que esperar mais 25 anos para esse milagre acontecer, afinal a nota mais alta era a tua:).
Não me recordo bem desse episódio e nao posso afirmar se seria eu no convento, o solipa é que pode confirmar pois como sabes o Menano já não está entre nós, com grande pesar meu. Mas, Tambem por isso, reviver os momentos em que estivemos juntos nos Açores é a melhor homenagem que lhe podemos prestar.

Helena Flor de Lima disse...

Graciete!
Esta história do burro aconteceu com a Nanda, o Rafael e o Solipa, o Niger já tinha ido embora transferido para Vila Real.
Helena Flor de Lima

Graciete disse...

Niger,
Enviei um SMS ao Solipa a perguntar se eram os 3 protagonistas e disse que sim! Afinal, pelos vistos, devia estar andar tb com "carga etílica", como ele diz.
Niger, já tinha esta história escrita e no fim fazia a minha nota, só para o Menano.
Mas como o Sr. Presidente fez anos, achei que deveria tirar a mesma, porque o dia era de festa.
E fiz-te passar por "esposa"...por isso mesmo, porque felizmente continuas entre nós.
O Menano será recordado sempre com saudade e hei-de colocar a nota que tinha escrito, assim que for oportuno.
Obrigado.

Graciete disse...

Helena,
O Rafael estava no Convento com a Nanda. Apareceram depois do burro já lá estar.
Quem trouxe o burro, foi o Solipa e... ele há-de esclarecer.

Helena Flor de Lima disse...

Graciete!
Nós estavamos em casa e eles os três vieram de burro do bairro da Terra Chã (eram 2 e tal da manhã), estavamos a dormir e acordamos com os três a fazer barulho, quando me apercebi a porta de casa estava aberta, porque a Nanda vivia connosco e tinha a Chave de casa, eles estavam a tentar por o burro no corredor, o burro chegou a por as duas patas da frente, entretanto apareceu D. Lurdes, depois não sei o que fizeram ao burro.....
Estás a ficar com esclorose!.....
Helena Flor de Lima

Graciete disse...

Helena Flor de Lima (desconhecida como antiga aluna!)

"Estás-me cegando", como dissem popularmente aqui por S. Miguel.

Que importa se foi o Niger ou o Rafael! Então o Rafael era a "esposa".

Que importa se nos foram acordar, ou não!

Andaram aos saltos nele e tudo o resto..., está certo! Sabes porquê?

EU estive cá fora e lembro-me disto assim!

TU, ou não saiste do Convento ou escapaste-te lá para dentro!

Carlos Solipa disse...

O burro foi apanhado na canada de belém junto aos pré-fabricados. O Rafael, o Menano e eu é que levamos o burro para ao pé da igreja.Acho que havia mais alguém que não me lembra (que se acuse). A Nanda aparece porque eu, em cima do burro, toquei-lhe à janela e como ela quis andar no burro veio cá para fora e quando se montou no burro, o Menano deu-lhe uma palmada nos guizos (do burro) e ele alçou a pata e deu-lhe um coice de raspão e arranca mas a pouca velocidade porque já estava cansado e foi quando tentámos mete-lo dentro do convento.
Espero ter completado a postagem da Graciete.

Graciete disse...

Carlos,
Claro que complestaste! Os teus ilustres conhecimentos nesta matéria e muitas outras, são imprescidíveis para avivar a memória. Eu não disse que eras S. José!
Manda daí uma postagem para animar a malta!
Beijinhos

Adelaide disse...

Helena e Graciete entendam-se! Já deu para perceber mais ou menos quem era a sagrada Família e que o Burro veio mesmo de Belém, por isso Helena deves ter sido o Anjo Gabriel e a Graciete a prima Isabel, ou será que me enganei na passagem biblica!

Luísa Benevides disse...

Graciete, esta história está o máximo! Se já estivessemos em Dezembro, diria que era um verdadeiro postal de Natal!!

Graciete disse...

Luísa,
Não é que parece que eram 4!
Como os que por aqui andam já não se lembram deste quarto elemento, acrescento a história, dizendo que já vinham prevenidos, para o Presépio, não tivessem eles visitas, e que traziam uma ovelha, ao que parece "ranhosa"!

Graciete disse...

Adelaide,
Peço desculpa, mas não tinha visto o teu comentário.
Não é que acertaste em cheio!
Percebeste muito bem a história.

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