quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Uma viagem

Photo and Copyright Carlos Russo Belo
Foto censurada
Atenção colegas não é possivel utilizar fotos que tem direitos de autor
pedimos aqui desculpas ao senhor Luís Miguel Correia do Blog
http://lmcshipsandthesea.blogspot.com/
por ter sido utilizada uma imagem do seu blog sem a devida autorização
pela Administração do Blog - Manuel Loureiro

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Por alturas da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, na primavera de 1983, decidimos aceitar o convite do Pedro, Sayonara, para visitar a Ilha de S. Miguel.
Não me recordo bem quem fazia parte do grupo. Certamente eu, o Jorge Coelho, o João Cassinelo e o Pedro, que me desculpem os restantes.
Como os orçamentos eram sempre curtos decidimos fazer a viagem de barco, havia na altura um, o Ponta Delgada, que irregularmente efectuava ligações entre as ilhas do grupo central e S. Miguel.
A aventura começou com a indefinição do dia para a partida. Devido às condições meteorológicas a partida foi sendo sucessivamente adiada até que, por trazer já passageiros do Pico, Faial e S. Jorge, a sua partida não pode mais ser adiada. Era meia-noite de um dia normal sem nenhum sinal de que poderia ser uma viagem atribulada, impacientes, festejamos por partir à aventura.
Apresentámo-nos no porto das pipas para embarcar, juntámo-nos a outros colegas que iam fazer a viagem connosco, lembro-me da Joaquina de Portalegre, do namorado e dum outro colega com a sua namorada cujo o nome me escapa mas sei que o pai era na altura o comandante do porto de Ponta Delgada. Tivemos direito a despedidas como se duma viagem transatlântica se tratasse.
Embarcamos, fomos sentar-nos no tombadilho onde havia um bar, tínhamos pensado passar a noite toda a beber umas cervejas quais lobos-do-mar.
Se duvidas tínhamos quanto à resistência dos nossos estômagos rapidamente elas foram dissipadas nem meia hora depois da partida, e mesmo antes de o bar abrir, começámos a sentir forte ondulação, claro que aos primeiros abanos só achamos graça a moral continuava em alta. Pior foi quando os tripulantes nos vieram pedir para abandonarmos aquele local pois por razões de segurança não poderíamos permanecer por ali.
Duas más noticias, a primeira lá se ia a programada noite de cerveja ao sabor das ondas, a segunda, para interditarem aquele lugar algo de mau estava para vir.
Descemos, já apoiados nas paredes pois o mau tempo estava mesmo a chegar, procuramos lugar para fazer a viagem. No salão do convés, ai com 150 lugares o cenário era digno de um filme de Fellini, entre o cheiro de corpos que não viam agua à dois dias e do vomitado que fermentava desde a mesma altura havia uma amalgama de malas, sacos e pessoas se só com dificuldade seriam identificados. A solução foi ocupar a sala de jantar do barco. Entretanto o mau tempo tinha mesmo chegado, ainda não estava decorrida uma hora de viagem. O enjoo começava a transformar-se num nervoso miudinho e nem a conversa com o imediato do navio, que conhecia o pai do nosso colega, foi suficiente para nos tranquilizar. Cada minuto aumentava o adornar do navio, na sala onde ficámos por vezes as correntes que prendiam as cadeiras ao chão partiam-se e era ver, cadeira e ocupante, a passar de um lado para o outro da sala.
Fazíamos contas à nossa vida, sempre com o pessoal de bordo a tentar estabelecer alguma tranquilidade, já pensávamos que o pior poderia estar para acontecer. De um lado pessoas a vomitar, de outro a rezar, cadeiras de um lado para o outro do barco, os copos e pratos soltavam-se dos suportes na cozinha e partiam-se com estrondo aumentando ainda mais o nosso receio. Na sala onde estávamos se nos largássemos das mesas o mais certo era ganhar uma viagem ate ao outro lado barco, não falo sequer do que em cada que vez que o barco adornava passava sob os nossos pés num vaivém interminável.
Depois de muito encomendar a minha alma lá se passaram as mais longas nove horas da minha vida, penso que dos outros também.
Assistimos às festas, visitamos a ilha, chegou o dia de regresso, todos com excepção da Joaquina, regressámos de avião pois para emoções fortes uma viagem chegou.
Coragem a desta gente.
Alberto Freitas.


QUEM TEM UMA FOTO DO NAVIO PONTA DELGADA PARA ILUSTRAR ESTA POSTAGEM DO NIGER?
Manuel Loureiro

14 comentários:

Graciete disse...

Niger,
Gostei imenso da tua viagem, no tempo e no espaço.
O que tu descreveste é exactamente o que se passava em mar mais agitado, quando se navegava no “Ponta Delgada”. Baloiçava por todos os lados, mesmo com o mar calmo!
Sabes, fiz muitas viagens neste barco para a ilha das Flores, porque geneticamente sou de lá. Só podia!
E não havia a hipótese de regresso de avião. Pelo que tive de aprender, aos 2 anos, a ser uma boa “marinheira”.
Claro que me ri imenso com a tua viagem, ao imaginar também os “marinheiros” que lá iam.
Niger, já tenho a lista de todos os que entraram no nosso ano.
Continua!

Adelaide disse...

Mais um post em que se relatam acontecimentos nos quais não participei mas que enquanto estou a ler recorda outros extraordinariamente parecidos, onde fui participante activa! Relembrei uma viagem a São Jorge, também a convite do colega Pajó, em que a viagem não foi no Ponta Delgada, mas foi noutro barco muito mais pequeno, "cruzeiro das ilhas"?, em que o cenário foi muito parecido! Cervejas, nem vê-las, o bar tinha um cheiro insuportável, aliás todo o barco, e claro está, as principais reviravoltas foram no estômago! Mas fomos Marinheiros, pois regressámos novamente de Barco, mas em vez de embarcarmos nas Velas, fomos para as Calhetas, que sempre era menos 1 hora de viagem!

Dina disse...

Adorei esta postagem..e não percebo como acho o "Ponta Delgada" tão pequeno quando na altura não achava nada disso.
Quando fui pela primeira vez pra Terceira tambem devia ir de Ponta Delgada porque tinha caixotes e mais caixotes pra levar, contudo , o tempo estava mau, e a viagem foi adiada. Para nao voltar a casa e ser de novo uma choradeira dos diabos ( a minha mãe ficava sózinha) resolvi e fui na SATA. Não tou a ver os meus filhos agora a tomares essa decisão sem ligarem n vezes para saber o que fazer..mas tou-me a ver a chorar..quando eles se foram..como a minha mãe o fez..

Bjinhos Niger e vai postando

Carlos Solipa disse...

Há que lançar a carga ao mar. Aúnica vez que tirei bilhete para uma viagem á graciosa acabou por ser adiada por causa do mau tempo.
Um abraço

LUIS MIGUEL CORREIA disse...

A fotografia do paquete PONTA DELGADA que ilustra este vosso post foi feita por mim e publicada no meu livro PAQUETES PORTUGUESES. Provavelmente alguém digitalizou esquecendo-se de referir o Autor.
No Blogue dos Navios e do Mar :BLOGUE DOS NAVIOS E DO MAR há mais fotos e textos sobre o PONTA DELGADA. Estão convidados

Luis Miguel Correia

Carlos Solipa disse...

Alguem tinha que foder a fotografia.Puta que pariu os direitos de autor

JT disse...

Não percebo a razão de terem retirado a foto, se bem entendi, o sr. Luis Correia muito gentilmente convida para visitar o seu blogue, para utilização de textos e fotos, desde que refiram o seu nome"no problem",

As melhores recordações do "Ponta Delgada" era a sua cozinha, tinha sempre óptimos cozinheiros, e aquelas batatas fritas, nunca mais vi em nenhum restaurante nada que se assemelhasse. Sempre souberam valorizar, que num Barco depois do capitão está o cozinheiro…

Presidente disse...

Eu não vos disse que com esta nova Administração o blog estava em boas mãos?
Bravo Manel Loureiro!
Bravo Alberto por teres escrito um texto de lindas memórias.
Eu também fiz algumas viagens inter-ilhas no Ponta Delgada e a maioria dos açoreanos também.
Tantas histórias há...
Vou procurar no meu baú fotos que tenho do velho Ponta Delgada, e gratuítamente as disponibilizarei aqui para quem as queira copiar e publicar, seja lá onde for.

O blog do Senhor Luís Miguel Correia é um blog muito bonito, temático e interessante! É muito diferente da anarquia reinante neste blog de Engenheiros saudosistas dos seus 20 anos!

Como dizia a letra dum hino do tempo da velha senhora:
"Lá vamos, cantando e rindo
Levados, levados, sim
Pela voz de som tremendo
Das tubas, clamor sem fim"
(...)
Espero que o Dr António não se erga do seu túmulo em Santa Comba Dão, e venha pedir direitos de autor e obrigar-me a cantar o hino da Mocidade Portuguesa!
Cruzes, credo!

Avante rapaziada!
O Senhor Luis Correia só queria que se fizesse referência à autoria da foto e tem toda a razão!
Agora, de castigo, ide todos comentar o blog do Senhor, mas portem-se bem, seus selvagens!
Pensam que ainda têm 20 anos?!
Lá no fundo, bem no fundo, eu amo-vos!

"Neste solo que eu amo
Neste povo que eu piso
O que é que eu sou?
O que é que eu sou?
O que é que eu sou?
Sois Rei! Sois Rei!Sois Rei!"
Jô Soares

Joaquim Marques

Presidente disse...

e-mail dirigido a nós:

"Não precisam de retirar a fotografia, tenho muito gosto em que utilizem a imagem. Quando publico no blogue imagens faço-o com consciência dos riscos desta natureza, mas faço-o também com um sentido de partilha. Mas isso não é razão para que não seja mencionada a origem ou a fonte".

Cumprimentos

Luís Miguel Correia

Mendes disse...

Oh Niger! Grande aventura esta viagem a S. Miguel no Ponta Delgada. Apesar de tudo, deve ter valido a pena, pois ficaste a conhecer a minha ilha (o melhor lugar do Mundo).
Um abraço.

Manuel Loureiro disse...

é pá, queria voltar a por a foto agora que estamos autorizados e já andei a escarafunchar no blog e não a vejo em lado nenhum.............

Adelaide disse...

Lá vais ter que ir tirar um foto debaixo de água!

JT disse...

Manel és o nosso Ratzinger!!
O Rottweiler defensor da Integridade e Legalidade deste Blogue

Graciete disse...

Vou perguntar ao meu pai se tem.
Ele tem fotos do "Carvalho Araújo", o barco anterior ao do Ponta Delgada, e eu estou lá com 2 anos.
E o meu Pai ainda viajou num outro antes deste último o "Lima".
Se não for o "Ponta Delgada", que fiz muitas viagens nele para as Flores, que vá uma do "Carvalho Araújo", do meu pai, que serve para o que queremos!

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