terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Maniqueísmo – a saga de um ministro

- Alvorada… toca a levantar suas antas…, Limacídeos! Bestas amorfas e pedaços de coisa nenhuma, são sete da manhã e o que o País espera de vós não é sonolência! Coragem, devoção, altruísmo! Palavras que por certo o vosso dicionário depauperado não contempla nas folhas alvas e mofas!
Assim, é o génesis de um ser que se quer fazer homem! As palavras brandas são educação falhada e, quando alguém puxa dos galões para mostrar a sua autoridade, aí sim, é modelo de educação sólida, promessa de futuro risonho...Assim queremos ser todos: audazes e firmes nas palavras, mesmo que magoemos, humilhemos, maltratemos aquele que poderia ocupar o nosso lugar…mas isso, agora, não interessa nada (alguém dizia), porque o que interessa é que eu estou aqui e tu aí.
Essa diferença de estado de seres semelhantes, levou a que se criassem classes, lobies, estatutos, guerras, o bem, o mal, o certo e o errado! Os homens são feitos de desumanidades, tenhamos isto como certo! Uns, apenas tiveram a sorte de sofrer menos desumanidades que outros e, como e por tal, são ligeiramente melhores.
Teorias, apenas teorias, que podem muito bem ser repudiadas por um outro ser que tenha capacidade pensante… assim se pretende: que o homem pense e diga o que pensa; que o homem se mostre mais…humano! Pensar é uma capacidade apenas de alguns. Os outros, os que também sabem pensar, mas apenas estão no lado oposto, esses que se calem porque a sua voz nos irrita e nos pode causar certos…desconfortos (?).
Assim surgiu a autoridade, a censura a calunia e a oposição calada e amordaçada que, a bem ver das coisas, prestava melhor serviço às Nações que esta de hoje que fala, fala, fala e … não diz nada (o que não se aplica ao publicitário desta conhecida frase…).
Então, a entidade divina, o ministro de galáxias (da terra e dos céus), ocultas na nebulosa pasmaceira do tempo cósmico, elevou-se perante tudo e todos e disse: - Doravante, todos os lugares, todos os seres, todos os reinos terão um ser que os governará e a ele será prestada vassalagem. Esses serão os meus desígnios; que perdure até ao juízo final de cada um… seja feita a minha vontade e daqueles que serão designados para chefes dos ministérios; a sabedoria acompanhá-los-á, e vós estareis mais bem entregues a eles do que a vós próprios.
Bom, assim o tempo foi passando e com ele os milénios. Quando um se achava superior àquele que governava o ministério, lá se instalava uma guerrazita nas redondezas. Depois de algumas mortes, sempre úteis para renovar os stocks humanos e imprimir uma nova dinâmica na adormecida sociedade servil …. Impostos, impostos e mais impostos para refazer o que a guerra tinha destruído (também é por isto que acho que o 25 de Abril apesar de tudo, correu mal).
Em tempos, nós, que fomos os maiores, por esses mares e marés e até fomos bons a enviar mensageiros, espiões e exploradores antes das expedições – sabíamos planificar – agora, depois de tantos anos, ficamos adormecidos nesta pasmaceira e já nem a mais vil das guerras – a concorrência – nos faz acordar, no entanto, verdade seja dita, alguns lemas imutáveis nos acompanham: - impostos, impostos, impostos…Assim é o nosso ministério com ministros de canudo dourado e debruado à mão (à mão daqueles que depois se revelam manetas – aqui que surjam lágrimas, teremos que sofrer com os sofredores!).
Somos dos países que menos impostos cobra mas que mais taxa (ou tacho). De facto a percentagem é menor que em muitos Países, mas nesses países onde se cobram impostos muito altos, o estado promove tudo e o nosso, bem o nosso não passa de um estado sugador de bolsos já de si vazios (não promove a saúde, não promove a educação, não promove o desenvolvimento, não promove o emprego, não promove a auto estima e não se promove enquanto país da Europa moderna e avançada). Que caiam de podres as minhas palavras mas, com a entrada dos novos países para o espaço comunitário na sua plenitude, nós, seremos cada vez mais marginais e desprezados. Seremos ultrapassados por aqueles que hoje são o centro das atenções, o centro da Europa. A Europa será encurralada entre um País colossal como a Espanha e a Polónia e entre esta ocidental barreira e a oriental miragem, seremos espectadores por cima de um muro intransponível que se afirma como Ibérico, mas no final, são os maiores nacionalistas e patriotas de todo o mundo (ai Afonso, Afonso, para que bateste na mãe?).
Resta-nos o turismo e até aí falhamos redondamente!
Entre o bem e o mal, lá se levantou um deles que disse… vamos conjugar esforços e fazer desta união uma união nacional para que estejamos alguns bem, isto para o mal de todos. Foi desta reunião magna que surgiu um poder instituído por meia dúzia de bem mal feitores da democracia que tudo fazem para que o desenvolvimento das sociedades se estagne neste cais de pasmaceira que é o nosso Portugal!
Entre este maniqueísmo de devotos servos de Deus e do Diabo, surge um que é o maior deles todos, não na essência do cargo, porque esse foi criado despretensiosamente pela entidade criadora, mas na essência do ser humano que tem ocupado esse cargo ao longo destes anos todos – os ministérios!Fortes ministérios com fracos ministros e assim, o bem e o mal contrariam a doutrina e coabitam no mesmo espaço, mesmo debaixo do nariz de um Santo!
Por isso, já não há paciência, são todos uma cambada de incompetentes e só me apetece dizer: - saiam daí, vão todos pro raio que vós parta, que para lugares vazios também se arranjam cabeças, e essas ao menos que sirvam para pôr chapéus, que nas vossas nem os piolhos querem construir ninhos!
Sais de Carvalho

8 comentários:

Presidente disse...

este post não é um abaixo assinado, mas poderia ser, e eu assinaria por baixo.
E eu desejo que os "Sais de Carvalho" se espalhem sem parcimónia pelos caminhos gelados das consciências adormecidas, tornando-os trasitáveis aos fluxos de densenvolvimento harmonioso!
Muito bem Jorge.

António Pedro Malva disse...

Xiça!
Jorge, eu já não lia um texto tão grande que não falasse de vacas, forragens, rações,vitaminas e afins, desde 2003!

Fico muito feliz com uma postagem deste género, porque assim o Fred já tem uma cabeça à sua altura, para alimentar as suas eruditas discuções.

um abraço a todos

Jorge Carvalho disse...

Marques e Malva,
a minha primeira reacção depois de fazer o clique para gravar este post foi: - nãaaaaaaa, vou apagar, não é post para este blog, pois não me parece que o pessoal esteja disposto a gramar com as minhas merdas!
Mas, depois também disse: - que se lixe, só lê quem quer!
Mas o que realmente eu queria era desabafar sobre uma realidade, uma classe e um estado de coisas...
Se vocês gostaram, ainda bem, assim não me sinto tão arrependido!
Obrigado
abraços!

António Pedro Malva disse...

Jorge

eu não te disse que gostei!? Só te disse que o li todo!

Mas sinceramente, acho que este Blog tem espaço para tudo o que nós quizermos! Há espaço para as brincadeiras e espaço para as coisas sérias. Desde que nos respeitemos. Quanto a mim, esta deve ser a pedra basilar sobre a qual deverá acentar tudo o que quer que façamos neste Blog.
Tendo noção de que me estou a repetir, volto a referir que, o que nos une é o DCA. E independentemente do que somos, ou do que fazemeos, ou do que temos, o que eramos nós enquanto alunos da nossa estimada academia? Uns esfarrapados, espinhosos, com ares de engenheiros, mas dependentes da teta do pai! (Isto não se aplica a mim, excepto a dependência paterna. Os meus contemporâneos, sabem que sempre me aprumei bem e andava sempre bem barbeadinho e cheiroso! Coisa que agora não faço, vai-se lá saber porquê!?)
Quando falo com os colegas mais velhos (Graciete, já não lhes chamo cotas, fósseis, ou dinossauros. Já fiz progressos!), não vejo um Director do Governo Regional, uma Professora Universitária, um ex-Professor nosso, ou um Técnico de Nutrição que cheira sempre a merda de vaca (falo de mim e não do Solipa, como é óbvio). Vejo gente que teve uma passado comum, em algum momento das suas vidas e é como ex-alunos que os trato, porque foi aqui que os conheci.
Por isso, amigo Jorge, se estás chateado com a vida, ou simplesmente começas a ficar senil, desabafa que a gente ouve (ou lê)

um abraço

PS companheiro, se não fosse a nossa loucura e as saudades do passado, este Blog não tinha razão de existir. Penso eu.
(Espero não ser confundido com o dono do Blog, ou ser acusado de querer usurpar ao poder!)

Graciete disse...

Jorge,
Concordo contigo. Esta é, infelizmente, muitas vezes, a realidade deste País. E quantas vezes nos sentimos incomodados e desesperançados, porque quem manda, sacrifica quem lutou por estar onde está, e quer avançar com este País. Mas, eles assim não entendem!
Outras causas, consideradas “nobres”, quantas vezes se sobrepõem às opiniões técnicas, científicas, … de quem pensa e sabe o que está a dizer, mas que ficarão de lado e esquecidas!
Existem sempre outras questões consideradas prioritárias, vai-se lá saber por quê!
Quantas vezes sentimos que quem nada lutou, e que até nem precisa de lutar, se olharmos para eles, veremos que não se preocupam com nada e que bem felizes estão. Compreendo perfeitamente o que quiseste transmitir.

Mas fizeste bem em postar, porque é o que acontece e sentimos, depois de termos sido estudantes.

Joaquim Leça disse...

Rabiçais,

O que escreveste, sinto no meu dia-a-dia. E olha que com a idade, só me lembro e respeito a atitude de Manuel Alegre quando diz "A mim ninguém me cala"! Mas não é fácil. E porque é que não é fácil? Porque são poucos os que tentam combater esta pasmaceira, como tu dizes. E depois, chega-se à conclusão que poucas vozes não chegam para apoquentar o poder.
Uma coisa é certa. Há que lutar e acreditar que um dia, Portugal voltará a ser um país grandioso! Está em cada um de nós, em casa, no trabalho e no lazer, despertar as mentes adormecidas, entorpecidas, amorfas! Um dia, chegaremos lá!!!
Aquele abraço!

Adelaide disse...

e assim se faz cidadania!!!

Graciete disse...

Malva,
Ouve a tua colega mais velha, Professora Universitária, que lecciona e faz também investigação.
O material que utilizo para ser estudado no laboratório, vem de um longo percurso já de investigação, precisamente fruto de trabalho de campo, muitas vezes bastante árduo. Como faço investigação com plantas endémicas raras dos Açores, os locais onde as mesmas se encontram, não são os mais fáceis de trilhar, bem pelo contrário. Mas, em tais ocasiões, com grande gosto meu, despojo-me da maquilhagem, das roupas citadinas, e ando entre as plantas, não da selva – esta agora também é para o Rabiçais – até encontrá-las, caindo, arriscando, sujando-me, molhando-me, com marcas deixadas pelas silvas, e muitas coisas mais. E assim, me sinto bem, também, até mesmo quando entramos nalgum restaurante (se houver tempo para almoçar). Sabes, no último mês de Julho, estive com 2 investigadores ingleses (Museu de História Natural de Londres) e 2 doutorandos meus, durante 17 dias, em 6 ilhas dos Açores e só fizemos trabalho de campo, bastante intenso.
Mesmo vestida de “campo”, toda mal apresentada, mas com aquela equipa, com a partilha enriquecedora de saberes, podes acreditar que me senti como se estivesse vestida para um baile de Gala!
A relatividade das coisas!

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