quarta-feira, 5 de novembro de 2008

TAP - 1995

Hoje de manhã lembrei-me deste episódio e achei que valia a pena ser colocado aqui para conhecimento de uns e recordação de outros. Provavelmente quem esteve presente encontrará algumas imprecisões (vai até onde a memória permite), deixo ao vosso critério fazer actualizações nos comentários.
Estávamos em inícios de Janeiro de 1995. Como se lembram, por esta altura todos os voos Lisboa – Terceira levavam pelo menos 4 ou 5 alunos do DCA uma vez que era altura de regresso após férias. Neste dia, no entanto, juntou-se no aeroporto de Lisboa uma tropa de alunos considerável, seguramente mais de 30 colegas.
Acontece que por uma razão qualquer o avião sofreu um atraso grande, e a TAP viu-se obrigada a oferecer almoço aos passageiros que ficavam a aguardar no aeroporto. O dito almoço foi servido no hotel Zurique (já não tenho a certeza se foi neste, mas acho que sim).
Na altura da partida para o hotel, por qualquer motivo, eu e outros colegas (prefiro não revelar nomes, pode ser que se identifiquem) não estávamos com o grupo e acabámos por perder a boleia. Almoçámos no aeroporto, o que me pareceu uma pena mas por outro lado foi bom porque me permitiu assistir com plena “lucidez” a tudo o que se passou a seguir.
Acelero um pouco na parte do almoço porque não estava lá, mas deixo à imaginação de cada um adivinhar o que se passou, com comida, e mais importante, bebida à descrição.
Regressados ao aeroporto, procedeu-se ao embarque. À porta do avião, quando as hospedeiras nos recebem com aquele sorriso genuíno, um ilustre colega terá dito qualquer coisa como “Vá dizer ao comandante que este avião foi tomado pelo Dep. de Cienc. Agrárias da Univ. dos Açores”. Imediatamente o pessoal de cabine suspeitou que tinha um problema. Quando viu o estado do resto do grupo ficou com a certeza.
Entrámos e foram simplesmente acontecendo coisas. Lembro-me de uma situação com outro colega. Decidiu perguntar (com a voz completamente entremelada) ao comissário de bordo que passava a entregar revistas e jornais “Têm revistas em Inglês?”, ao que este respondeu secamente “Não” e foi-se afastando. O colega, sentado na sua cadeira puxou-o e perguntou-lhe “E em Português, mas que se leiam?”. O comissário deu-lhe a mesma resposta em atitude de desprezo ao que o nosso colega se levanta e se fila ao espantado comissário para de forma mais encorpada pedir satisfações. Aqui, creio que alguém de entre nós interveio imediatamente e a coisa não passou do cómico.
Outro ilustre colega sentiu uma necessidade grande de ir à casa de banho num daqueles momentos em que a luz do cinto está acesa. Imediatamente foi barrado pela hospedeira. Não reagiu. Simplesmente se sentou, abriu a bolsa da cadeira em frente, tirou o saco do vomitado e aliviou a bexiga para dentro do mesmo. Ao passar a hospedeira, chamou-a com toda a naturalidade “Faz favor…” e passou-lhe o saco completamente inflado. A senhora incrédula, lá recolheu o saco e levou-o nem sei bem para onde.
Não me alongo mais, sei que ocorreram mais situações durante este voo (deixo para outros) e tenho ideia de que alguém tirou fotografias.
O próprio comandante teve que ir lá atrás fazer uns avisos algumas vezes.
Tudo acabou numa sessão de guitarradas na traseira do avião, não só com colegas mas também com outros passageiros que nos acompanhavam.

16 comentários:

Francisco Barbosa disse...

Do almoço, no hotel Zurique, lembro-me que o vinho era um néctar de seu nome VIP Zurique, na degustação da extraordinária beberagem lembro-me que fomos brindados com belos momentos de poesia por um ilustríssimo colega nosso! E sim, existem fotografias, penso que o Van Coinas ainda as deve ter, pode ser que ela as poste...

Graciete disse...

Marco,
Cá estou eu, como prometi, apesar de ainda não teres comentado nas postagens dos mais antigos, mais concretamente, nas minhas!
Quero felicitar-te pelo post, quer pelo seu conteúdo, quer pela prosa descritiva e alongada, tal como ... a minha!
O episódio que dizes ser "para conhecimento de uns", e que é certamente, levou-me a que o imaginasse com outras personagens, precisamente as que comigo entraram no DCA.
Teriam feito certamente o mesmo ou parecido!
Foi realmente interessante para mim, ver esta transversalidade nas gerações.
Resta-me apenas registar a tua audácia!
Já não serás "EXPLUSO" aqui pela "DITADORA"!

Manuel Loureiro disse...

Boa Marco
Essa tua historia faz-me lembrar muitas outras que houve, em especial naqueles voos que vinham de Boston para Lisboa e nos pegavam na Terceira ai pelas seis da manhã, onde nos dedicávamos a passar o tempo na casa dos gémeos “Twins” antes de ir direito aos aeroportos.
As famílias em Lisboa a achar que todos tinham mau aspecto e ar cansado e não passava mais do que um início de ressaca.
Como diz a Graciete “transversalidade nas gerações”.
Abraço e parabéns pela audácia

Jorge Rabiçais disse...

Amigo Marco,
de facto...!
como diz a Graciete, tranversalidade nas gerações e, de facto, essa TAP, esse Hotel e esse aeroporto t~em assistiram a inestimáveis tesouros humorísticos, teatrais e cinematográficos que, por certo, deixariam o mais audaz dos relizadores muito aquém da realidade!
Também no num dos vôos da TAp, nesse mesmo hotel, mas com cerca de 100 alunos do DCA, entre os quais o saudoso Zé Maria, o Ricardo Madureira, Os Algarvios, entre outros, fizemos trinta por uma linha... parece que os desfecho era sempre o mesmo; comandante a avisar que processava o DCA e que nunca mais viajaríamos na TAP... tourada!
Bom, numa dessa viagens alucinantes, fiz o que poucos conseguiram... aterrou o avião e eu permaneci de pé, nada nem ninguém me consegui sentar...
ainda bem que a minha filha não sabe ler, pois se ela visita este blog, troca logo de pai!
Abraços e bjinhos

Adelaide disse...

Espectacular, como esta pasagem me fez lembrar algumas das viagens que fazíamos, apenas 3 no ano lectivo: Natal, Páscoa e Verão.Sim , que agora os meninos sentem saudades dos papás, apesar de terem telemoveis, webcam, etc. e lá vão de vez em quando passar um fim de semana prolongado, com a desculpa de irem buscar uma comidinha!Lembro-me de um voo que vinha de Boston, e como era hora de almoço, todos tivemos direito a refeição quente, foi uma festa, principalmente o que fizémos com as toalhitas quentes para lavar as mãos.Penso que desde esse dia, as mesmas acabaram nos voos TER-Lx-TER.

Marco Nunes disse...

Caro amigo Jorge,
Não sei se o voo a que me refiro não é o mesmo que falas no teu comentário. Não te lembras de dizer nada à entrada do avião?
Já agora vê se convençes o Chiquinho (Gateira) a aparecer.
Abraço
Marco

Adelaide disse...

Ó afilhado, não me digas que tu fizeste cenas destas, sem pedir a benção e ainda por cima com pós amnésia?
Ok. Estás absolvido!
As pessoas ainda não perceberam que só se devem arrepender do que não fizeram! Porque viver o espirito académico é isto mesmo.
Há tempo e espaço para tudo. E essa época faz parte desse TUDO!

Matilde disse...

Parabéns pela postagem, foste duma eloquência espectacular! Já chorei a rir com a história.
Todos nos lembramos de episódios mais ou menos hilariantes, foram tempos espectaculares e foi o momento de os viver e são histórias para contar aos nossos filhos. A partilha das loucuras da juventude também é importante para a vivência familiar e para se ficar com a história de vida dos nossos progenitores. Por isso não tenham problemas com as loucuras do blog, lendo-o ou não se os filhos quiserem fazer loucuras vão faze-las exactamente na mesma.
Isto para quem diz que estes "gajos" são doidos, temos filhos...

Adelaide disse...

Doidos? quem sao esses? Não s~~ao apenas os que estão na casa amarela?

JT disse...

Marco
long time ago.
Lembro-me perfeitamente o relato exaustivo do Kiki lá no 19, acerca dessa viagem. Pelos vistos o Kiki Flecha quer trazer ao barulho pessoal de Bruxelas,
Abraço

Joao Silva disse...

ehhhhhh home eles andem aí e nada postem !!!

vou já digitalizar essas fotos, inclusive a do saco.

bjs e abraços

Joao (Coinas)

Graciete disse...

Jorge Tiago,
A tua foto parece-me um pouco recuada no tempo, ou será impressão minha!
Que dirá o nosso colega Malva que já afirmou que "não é fácil comentar fotografia quase tão velhas como eu"?

Graciete disse...

Adelaide,
Segundo alguns comentários, precisamente de um colega nosso, deveremos parecer "As Velhas", mas as Famosas da Terceira (cantiga), metidas no avião com a rapaziada nova!

JT disse...

Graciete,

Penso que o Malva está um pouco equivocado, ou então, está com um ligeiro desgaste das vistas, as Madames acima referidas, a julgar pelas fotos, ainda não apresentam sinais avançados da idade

Graciete disse...

Oh Tiago,
Embora possa até não ser verdade o que está a dizer, mereces a minha admiração, como certamente também estarias a esperar!
Obrigada

Jorge Rabiçais disse...

caro Marco,
se calhar até foi o mesmo vôo... aí a minha memória, e ainda dizem que o álcool conserva!
O Gateira, já sabe do blog, visita, mas não posta... la´chegará!
^Madrinha, obrigado pela tua absolvição, aliás é uma forma de te redimires, pois como sabes, os afilhados saem tresloucados porque a água benta nem sempre é bem deitada!
bjinhos

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