sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Espíritos ou ócio a quanto obrigas

Deve ter sido uma daquelas noites em que o turno sem electricidade era das 20 às 24 horas algures no ano de 82. Depois de esgotar a nossa paciência à volta de uma mesa de King e fechar a casa do povo que fazer?
Nesse dia a dona da casa ao lado convento, onde moravam o Manaças, o Tózé e o Sérgio, deve ter viajado pelo que tínhamos a casa por nossa conta. Penso que o combustível da noite deve ter sido uma aguardente de vinho verde famosa porque sempre servida na temperatura ideal. Alguém, iluminado, teve uma ideia vamos fazer uma sessão de espiritismo.
O ambiente estava criado, só a luz das velas nos iluminava, a mesa da sala não tinha pé de galo mas fizemos de conta que sim, o ouija não existia mas improvisámos um, não sabíamos quem invocar mas apareceria alguém. Deveríamos ser uns sete ou oito cheios de vontade de obter respostas às nossas grandes preocupações do momento. Ou sobre uma paixoneta, que certamente morava na casa ao lado, ou sobre um enunciado de algum exame próximo.
Montado o cenário lá iniciámos a sessão, não entendi se o motivo foi a falta de experiencia ou a falta de concentração mas a verdade é que os espíritos estavam renitentes em colaborar. Já depois de chegar a electricidade, o que permitiu colocar uma música de fundo, lembro-me que foi o lado 2 do Tubular Bells, os espíritos começaram a dar sinais de vida. Se foi a aguardente que aqueceu ou pouco mais as nossas almas empedernidas, ou a musica completamente a propósito do evento ou o dedo maroto do Gongorino, ainda hoje não tenho resposta mas a verdade é que o pratinho lá começou a dar as suas voltinhas.
Titubeante nas respostas não havia meio do pratinho começar a dizer aquilo que queríamos ouvir. Já impacientes questionamos a razão pela qual os espíritos não estavam colaborantes, eis que a grande revelação da noite estava a chegar. Havia alguém presente na sala que estava a interferir com a comunicação.
Um ensurdecedor silencio invadiu a sala. Quem seria e que razões haveriam para algum de nós estar a interferir com o Além?
Olhámo-nos tentando adivinhar que segredo poderia um de nós estar a esconder, que aura poderia um de nós ter que deixava os espíritos pouco tranquilos, e a verdade é que pelo estado etílico da sala ou por alguma outra razão, alguns semblantes estavam bem carregados.
À pergunta quem é que te esta a incomodar? O pratinho deu duas voltas à mesa, a cada segundo passado o ambiente tornava-se mais denso. Uns já verdadeiramente assustados outros com as gargalhadas contidas, era cada vez mais notório que o espírito era bem terreno, tinha nome, e estava a explorar os pontos fracos de quem estava presente.
O pratinho parou. Gelou-se o sangue, talvez na temperatura a que estava a ser servida a famosa aguardente, o visado ficou branco. Com a sua carinha de menino assustado a Madrinha, em silêncio, levantou-se tirou um fio que tinha como medalha um crucifixo e perguntou será que agora já posso ficar?
Acabou-se a sessão, sei que a noite não ficou por ai pois na tentativa de mostrar que afinal todos estávamos à vontade com assunto ainda tivemos que ir passear para o cemitério.

16 comentários:

Pedro Manaças disse...

Eu não assisti à sessão porque tinha ido... sei lá, a qualquer lado. Só me lembro de ao chegar a casa, ver uma data de povo a sair a correr de casa. Uns a rir que nem doidos, outros brancos que nem a cal.
Não digo nomes.

Adelaide disse...

Quando comecei a ler esta história, pensei que era interveniente!!!!
Estas sessões de espíritas repetiram-se ao longo dos anos e havia sempre uns que se levantavam, outros que ficavam brancos, uns em transe, e outros com dores de barriga de reprimir o riso e depois quase de morrer a rir!
E o mais engraçado é que o cemitério, também era um local muito visitado. Uma das vezes, alguém se lembrou de fazer de fantasma e tentar assustar o maior alcoolizado natural e residente na Terra Chã (pensavam e diziam os estudantes)! Acontece que este mesmo senhor quando viu o pretenso fantasma no cemitério parou a sua caminhada ondulante e disse mais ou menos assim (os intervenientes que me corrijam):
- Estes estudiantes estião cada vez mais tiolos! – e lá seguiu o seu caminho em paz com a sua circulação sanguínea bem alimentada e nós….a rir!

Helena Flor de Lima disse...

Boa Niger!
Gostei muito..... Mas há mais sessões destas passadas no "LAR MASCULINO", quem sabe que as conte.....para animar a malta!....

Presidente disse...

Helena, e a foto pró blog?

Helena Flor de Lima disse...

Srº Presidente!
Você está sempre atento......Não deixas passar nada, caramba!.....
Vais receber este fim de semana, a foto, mas primeiro tem que ser publicada na LUX e na GENTE, depois vai para o BLOG....

Graciete disse...

Olha pra Ela!
Tens que então convidar o Vasquinho para nos servir um coktail, primeiro! Depois a´t te oferecemos a coroa!

Dina disse...

Por falar em espiritismo..vá lá Lena, conta daquela vez em que uns caloiros coriscos, na casa do Florentino (acho eu) resolveram fazer uma sessão, e á meio da noite alguem entrou num pseudo transe, e vieram á nossa casa perguntar á Matilde o contacto do Padre Caetano...Tomás, para o levarem ao seminário, já que o dito senhor padre tinha pderes para trazer as pessoas á realidade. Ora a amiga Matilde, quando o Fernando lá foi pedir o contacto ainda hesitou em dá-lo..ora que vexame chegarem a altas horas da noite ao seminário de Angra com alguem em transe.
Com o contacto na mão, o caloiro entretanto tinha sido conduzido a Casa da NINI, tornava-se necessário alguem conduzi-lo ao Seminário. Aí entra a Lena,que apesar de estar meia doente, apenas Pôs uma Condição para transportar na sua viatura o dito caloiro pro Seminario- ele teria de ir de cara tapada- .
Quando chegou a Lena ao Bairro, no seu Citreon (acho eu) e depois de o "possuido" ter rasgado uns lençois com a força sobrenatural, ( não sei se eram da Cidália) , eis que sai do transe...

E a estoria termina com ...apenas com a perca de uns ricos lençois..

Esse ano de 1986, com muita caloirada de S. Miguel deve ter mais umas boas historias...e se calhar esta não será bem assim..mas é como me lembro..que me corrijam as "lembradas"

Adelaide disse...

A cena não acabou só com lençois rasgados, mas também com muita gente zangada. A encenação do transe foi tão boa (os caloiros daquele ano eram especiais!) que houve quem ficasse disiludido por não ter sido real. A caloirada estava eufórica, mas os veteranos também ...A Lena Flor com a sua indecisão em ajudar aquele pobre espírito, ajudou ainda mais a festa!!!

Presidente disse...

Caro/a Colega

Envio a minha pequena contribuição, para este grande e fantastico blog.
Adorei a iniciativa, PARABÊNS.
Ano de frequência: 1993/1999

Em breve enviarei foto (só minha), apesar de já me poder ver em: Domingos Abreu Veloso 89-90

Saudações Académicas
Isabel Alvaro

Graciete disse...

Niger,
Não sabes o quanto adorei a tua história. Comecei a lê-la e pensei...deve ser do Niger...e fui confirmar e estava certa.
É para vermos como todos nós ainda nos conhecemos bem!
Estava tão bem contada, que li-a com a sofregância de chegar rapidamente ao fim!
A Madrinha!
Gostei mesmo muito.
A casa ao lado, pois é, era muito cobiçada!
E até foi motivo de discussão neste espaço!
Mas os meninos andam esquecidos de algumas meninas!
E que são até um complemento do teu post!

Graciete disse...

Dina,
Afinal, como se previa, a Helena sabe as histórias mas manda contá-las!

Alberto Freitas disse...

Grande Graciete
Obrigado pelo comentário. Relativamente à Helena partilho a tua opinião e aproveito para lembrar que eramos, no ano lectivo de 82/83, cerca de 60.Onde andam os restantes?

Graciete disse...

Oh, meu amigo Niger,ainda bem que tens a tua memória em bom estado!
também tinha este número na minha nas minhas lembranças! Éramos 60 ou lá muito perto. Mas nunca disse porque tenho até medo de recordar!!
E digo-te porquê. A Helena, neste Bolg, escreveu o seguinte sobre mim:
"Estás a ficar com esclorose!....."
Pois é Niger...

Pedro Manaças disse...

Éramos exactamente 55. 35 para engenharia Zootécnica e 20 para Eng. Agrícola.

Graciete disse...

Manaças,
Estive a fazer uma lista com os nomes que me lembrava e cheguei aos 42. Ainda então falta 13!

Pedro Manaças disse...

Gracie, manda-me a lista que eu vejo se consigo acrescentar alguém.

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