quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dona Helena

“A saudade é um luto.
Um amor, uma paixão.
É um cortinado roxo.
Que me morde o coração.”

É essa saudade, tão bem relatada na canção popular terceirense, que me faz visitar e participar neste blogue, em tão boa hora criado.
Mas, adiantando um pouco, tinha prometido que mais vezes viria aqui escrever sobre a minha amiga Lena Flor de Lima, que por mais anos que passem continua a ser a mesma “gaja” divertida, mal-humorada q.b, e tantos outros atributos que agora não vou enunciar.
Eu morava em Angra e ela no Convento. Todos os dias tinha a incumbência de a chamar para irmos para as aulas das 8 da manhã. O combinado era eu atirar pedrinhas à janela da Dona Helena. Lindo!
Havia dias que as pedrinhas eram guindadas aos vidrinhos e Dona Helena aparecia com o cabelo virado do avesso, de olhos ainda cerrados e perguntava num tom provocador:
- O que é que foi? O que é que aconteceu?
Bem, pensava eu, teve a jogar às cartas até às tantas. Mas depois respondia-lhe que tínhamos aula e já só faltavam 15 minutos.
Quase com a cara colada ao parapeito da janela, Dona Helena dizia-me sempre:
- Entra, mas não ligues à bagunça.
Eu entrava, não ligava à bagunça e esperava pacientemente, olhando as 500 000 mil violetas que ela tinha no quarto.

Noutros dias, a cena repetia-se até à fase das pedrinhas e lá aparecia ela e dizia:
- Já são horas? Fogo, dormi que nem uma porquinha. Nestes dias tinha um sorriso.

Um beijo para todas as “freiras” daquele tempo.

6 comentários:

Adelaide disse...

As canastas tiravam o sono à Helena, e ela aos restantes companheiros!
Quando estava a ganhar, muito cantava: "portuga da merda, oh, oh! bis"
Mas um dia uma das portugas, zangou-se e ela assustou-se...
Mas a Zanga foi a brincar, e aí foi ver o riso amarelo da Lena!
Teresa onde andas, minha parceira, olha que mesmo hoje, não podemos dizer as nossas combinações, esse crime não prescreve, não vás em conversas!

Presidente disse...

Profissional e não proficional!
Mandei-vos 1 e-mail com vários erros ortograficos, pelo facto peço desculpas.
Joaquim Marques

Helena Flor de lima disse...

Boa Zita!
Téns cá uma mimória.....Cuidado com a pequena....Mas era mesmo assim tal e qual, pois desassossegavam-me o juízo para jogar às cartas até 7 oito da manhã, cheguei a vir para casa e José Rebelo (dono da casa)a sair para ir trabalhar para a Unicol......Ainda tenho um caderno algures lá em casa com os resultados dos jogos de canasta.
O vício era tanto que quando acabei o curso e vim para S. Migue, ofereceram-me dois baralhos de cartas plastificadas para o resto da minha vida....Depois desta altura nunca mais joguei, a não ser o outro dia (passados 20 anos),estive a jogarcom um gripo de amigos e não falhava uma regra do jogo.....Ali viciada!

Zita disse...

Lena, a sério que te desassossegavam?
E eu que, na altura, pensava que eras tu a viciada! Por isso sempre perdoei o teu mau humor.
Enganaste-me.:)

Presidente disse...

Ora viva,
Parabéns pela iniciativa.
Tenho passado bons momentos à frente do computador.
Pena que ainda haja pouca gente do meu tempo (apesar de já estarem alguns ilustres representantes).

Abraço para todos

Marco Nunes
Ano de inscrição - 1993
marconunes@mail.pt

Adelaide disse...

Leninha, fazer directa a jogar às cartinhas? Que viciada!Quem diria? Quem era capaz de te acompanhar em tal jogatana? O caderninho só tem os jogos que ganhaste? Vai lá buscá-lo ao baú, e posta aí!

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