sexta-feira, 24 de outubro de 2008

De Comentário a postagem

De comentário a postagem (quando aparecerem as fotos para cá virão)
Como proposta do nosso presidente, aqui vai para recordar as memórias da tempestade de Fevereiro de 86, o comentário à postagem da colega Isabel Álvaro transformado em postagem.

É verdade grandes memórias de grandes tempestades umas climáticas outras não tanto.Por vezes era-mos visitados por estes fenómenos, recordo-me daquele dia 15 de Fevereiro de 1986, era um sábado, estávamos quase a acabar o curso e os “Fonte Faneca (Tó Canedo, Pedro TAP, Rochinha e eu)” tinham-se mudado para o bairro da Terra Chã a preparar a partida. Eu estava numa casa onde vivia ainda o Mendes e o Fontes. Tinha saído de manhã e ido ao mercado fazer umas compras e voltado para casa na urbana seriam ai umas dez da manhã mais ou menos. O tempo estava digamos normal para o Inverno, algum vento algum chuvisco nada de estranho.Acabado de entrar em casa, estava eu a guardar as compras no frigorífico, quando ouvi um estrondo grande, logo seguido de um toque na campainha da casa.Fui abrir e não percebi bem o que se passava, estava um vizinho que por cima do ombro apontava com o polegar para trás das costas para um monte de entulho que momentos antes ali não estava, e dizia-me o vizinho - isto é seu! E eu não percebia e ele repetia apontando por cima do ombro com o polegar como se estivesse a pedir uma boleia, - ò vizinho isto é seu! E eu confesso que não percebia, como é que aquele monte de entulho que momentos antes quando eu tinha entrado não existia podia ser meu? à terceira vez decidi-me a sair da porta e tentar perceber o que queria dizer, e ai dei-me conta que não tinha telhado.Atónito e sem saber o que fazer comecei a ir ao encontro das casas dos outros colegas quando de repente surge nova “rabanada” de vento (uma aragem como diriam na Ilha das Flores) e de uma só vez toda uma fiada de casas fica sem telhado. Ainda hoje tenho na memória aquele fabuloso momento de telhas a voar seguidas do surgimento de cabeças ensonadas, digo mesmo aparvalhadas sem perceber o que tinha acontecido do Fernando Moreira da Silva e do Sousa, no local onde momentos antes tinham existido telhas.Passámos o resto da manhã a atar as casas como se fossem embrulhos com fitas de montar estufas que eram passadas quase de metro a metro (alguém por ai deve ter fotos disso) recordo-me que sem telhado tivemos depor tudo em caixas dentro de casa debaixo da cama e dentro de armários fechados pois quando o forte da tempestade passou por volta das três da tarde os bombeiros não nos queriam em casa. Depois disso fui com o Xico General (Francisco Almeida) na sua moto até Angra, para casa do Paulo e da Luz que nos deram guarida, o Xico conduzia na rua da Sé a desviar-se de telhas que caíam dos telhados das casas, outros penso que foram para outros locais indicados pela protecção civil. As ondas rebentavam na Silveira ao cimo da Muralha e uma semana depois tínhamos a Ilha castanha, toda queimada do Sal que seguia no vento.
Outras houveram como lembra a Adelaide, com mais ou menos vento mais ou menos chuva, até com neve, deixando as vacas completamente baralhadas nos pastos sem comida e cheias de frio, a ver se aparecem as fotos.

3 comentários:

Graciete disse...

Manel,
Lembro-me tão bem desta tempestade com vendaval.
No largo da Igreja, de janela, víamos objectos não identificados a voarem, seguidos!
E tivemos que nos resguardar, por imposição do dito temporal, no Convento, bem fechadas!
Mas agora, a esta distância temporal, penso que muitos ficaram "Apanhados da Telha"! Não concordarás comigo?

Presidente disse...

Risos!
És demais, Graciete! Não perdes uma oportunidade para picar...

Graciete disse...

Marques,
Sempre ouvi dizer que "Nem não se sente não é filho de boa gente.", por isso estou a ver quando é que "toco" nos sentimentos desses!
Tenho experança que ainda os vejamos por aqui porque...afinal até eram filhos de boa gente!

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