terça-feira, 2 de dezembro de 2008

CONTRA 1ª Edição


Corria o ano de 1984 tudo mudava no DCA, as lutas académicas estavam a começar, a AECA dava os primeiros passos, organizavam-se greves, levantamentos de rancho, nesse contexto e com o lema de “Hoje somos poucos amanhã seremos os mesmos” foi lançado um jornal de actualidades mundanas.
O seu corpo redactorial era secreto, a sua linha editorial somente aos Alcunhas dizia respeito, não estava refém de nenhum interesse económico pois replicava-se de forma natural.
Não tinha periodicidade, aparecia quando lhe apetecia. Todos poderiam ser alvo da sua pena viperina.
Encontrei os quatro exemplares da sua vida efémera, ou, quem sabe, ainda estará por aí no Limbo pronto a aparecer quando menos se esperar.

Leite Ela, Manteiga Milhafre, Queijo Terra Nostra IV

(continuação)
-Que demora meninas! Porque é que as mulheres têm que ir aos pares à casa de banho?

(risos)

-Como eu vos estava a contar, há 29 anos, eu tinha sensivelmente a vossa idade, e fui colocado no DCA... entretanto, durante a passagem de ano de 79 para 80, houve um grande terramoto nos Açores, os meus pais ficaram preocupados, mas mesmo assim eu decidi ir. No dia 4 de Janeiro fui levantar o bilhete à agência, fui de autocarro até Lisboa e lá embarquei no dia seguinte rumo ao meu futuro...
-De autocarro para Lisboa? Mas tu não moras aqui?
-Maria, eu agora moro aqui, mas eu sou de Viseu, a minha família é de lá, entendeste?
-Mas afinal o que é o DCA?
-É o Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, por isso é que eu fui prós Açores.
-E isso fica em Santa Maria?
-Não... o voo da TAP é que ia para Boston e fazia escala em Santa Maria, e eu depois apanharia uma ligação da SATA para Ponta Delgada, que fica em S. Miguel, a maior ilha dos Açores... como tinha havido o terramoto, os voos estavam muito cheios e porque era final de ano, regresso de férias etc. ...Vocês nunca viveram numa ilha, é natural que desconheçam estes pormenores da insularidade...
-O meu sonho é viver numa daquelas ilhas desertas, praias de areia branca, sol...
-Ah queridas, então vocês vão adorar o cruzeiro... e tu, Maria, vais gostar muito do Leça, ele é da Ilha da Madeira, percebe muito de Ilhas...
(gargalhadas)
-Da Ilha da Madeira?! E foi estudar também prós Açores?! (risos) Deve gostar muito de ilhas!... Que idade tem? Olha que eu gosto de homens mais velhos, mas fortes e ligeiramente calvos....
-Maria, meu doce, se não gostares do Leça, podes escolher outro ilhéu, o Mendes, por exemplo... fisionomicamente é tal e qual a tua descrição... Mas não se apoquentem que lá no DCA há imensos homens espadaúdos tipo Viking... é só escolher! E é tudo boa gente, bem na vida...

(risos)

-Preciso que me ajudem a encontrar um grande grupo de acompanhantes para os meu colegas.... Mas têm que ser como vocês, jovens, elegantes, simpáticas...
TELEFONE da JULIANA
-Da... niet... Da... olha estou no Cascaishopping, na zona dos restaurantes... Onde é que tu estás? Espera aí que eu vou-te buscar...
-Algum problema, Juliana?
-Não, é a minha amiga, Angela, que está a tentar estacionar... é Moldava... eu já venho, esperem aqui um pouquinho....
-Está bem nós esperamos...
(continua)

COMANDANTE escolhido

Como tenho constatado que os nossos colegas andam a organizar ou a engendrar um cruzeiro, que ainda não percebi qual o seu destino, e sabendo que a vontade de terem as colegas do DCA como companhia, não foi sequer manifestada, como até foi rejeitada, entendi que nos estavam a afrontar de uma forma bem objectiva e evidente.
Parece-me que estão a entrar numa fase muito delicada das suas vidas e que, muito provavelmente, precisam de se testar. Enfim, serão as inseguranças da idade que já estão a dar os seus frutos!
Bem, não me cabe a mim responder.
Todavia, como estamos aqui imbuídos do mesmo espírito, partilhando também os gostos de um tempo de descanso e lazer, e como a ver e a ouvir falar de cruzeiros … é que as colegas não vão ficar, entendi que teria de agir, por forma a colmatar este deslize dos nossos colegas.
Não precisei de envidar muitos esforços, para saber quem nos iria conduzir nesta aventura, sem nos levar ao fundo dos mares e sem melindrar a amizade que nos une.
E comunico-vos que já temos o Comandante do nosso iate.
Iremos assim, num ambiente muito mais personalizado, que com prazer vos dou a conhecer.
O nosso Comandante é uma pessoa com grande experiência na navegação, culta, despretensiosa e que certamente irá satisfazer os nossos desejos.
O destino do iate será, muito provavelmente, um qualquer que o Comandante entenderá, uma vez que quando se encontra no mar, quer é mesmo navegar!
Mas a última figura ilustra um destes paraísos tão atractivos.
Quanto à durarão do mesmo, e tendo em atenção o perfil de quem nos irá proporcionar esta inesquecível viagem, parece-me que durará quase uma eternidade, pois já vislumbro que, com muito esforço, terei mesmo de o convencer a regressar a terra.
Como somo mulheres de mentes abertas, não é nossa intenção querer excluir os colegas que manifestem interesse em privarem connosco o nosso rumo.
Fico assim a aguardar as sugestões das minhas colegas, bem a demonstração de vontade dos nossos colegas.
Contudo, isto não nos condiciona a que não possamos, desde já, escolher os companheiros de viagem.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Leite Ela, Manteiga Milhafre, Queijo Terra Nostra III

(continuação)

-Olá Juliana, que frio... beijinho! Quem é esta?
-Esta é a minha prima, Maria!
-Prazer Maria! Vocês não têm frio? Com essas perninhas ao léu... Abençoados genes...
-Afinal nem me disseste o teu nome...
-Eu sou o Marques, lá no DCA tratam-me também por Presidente.
-Presidente?!... Presidente de quê?! (gargalhadas)
-Juliana, não sejas apressada, já te conto, deixa-me continuar a história que te estava a contar... Querem tomar alguma coisa?
-Eu quero um gelado de chocolate...
-Com este frio?
-Lá na terra dos meus pais come-se gelado no inverno, e faz muito mais frio que aqui...
-De onde és Maria?
-Eu sou da Eslováquia, conheces? A Juliana é da Bielorússia, o pai dela é russo e a minha tia é checa. Eu nasci na Eslováquia mas a minha mãe é checa e o meu pai ucraniano... viemos para Portugal muito pequeninas...
-Hum... Agora está explicado... Tanta elegância, pele branca, olhos claros, cabelos loiros... o Jorge vai cair de cu... Maria, queres ir ao cruzeiro do DCA?
-Depende, se tu me explicares o que é o DCA...
TELEFONE
-Então?! Não atendes?
-Não... agora não..
-É a tua namorada?! (gargalhadas)
-Não, é o Joaquim Leça, quer que lhe arranje uma acompanhante pró cruzeiro... andam todos entusiasmados com o cruzeiro... Sabes Juliana, desde que comecei a falar de ti e do cruzeiro, o DCA está num reboliço...
-Isso já me cheira mal, o que é afinal o DCA?
TELEFONE
-Alo, corisca mal amanhada, estás boa?
(...)
-Não Lena, não... está tudo bem... (risos) A Graciete?!! (risos)... e a Adelaide vai ficar fula,... o Mendes já disse que também quer ir ao cruzeiro... agora estou ocupado, mais logo eu ligo-te, beijinho!
(...)
-Bem, meus doces... vou desligar o telefone! Juliana! Tinha-te contado que tinha sido colocado no DCA mas só consegui viagem na TAP a 5 de Janeiro de 1980, via Santa Maria, recordas-te?
-Espera aí um pouco, preciso de ir à casa de banho, vens Juliana?
-Espera aqui que já voltamos, Presidente... (risos)
-Eu por vós e por eles faço tudo, abençoado seja Deus! Que pernas....
(continua)

domingo, 30 de novembro de 2008

"Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara."




"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

In: Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago


Hoje, final de Novembro, vim passear por aqui. Nesta sala (o noso blog) não está frio, não neva. Pode estar cheia de gente que não consigo ver-vos. Mas posso deixar-vos estas palavras e isso engrandece-me a alma. Gosto de partilhar vocábulos com os outros e gosto de pressentir que de entre uma imensa quantidade de gente, algúem vai parar uns segundos e pensar naquilo que aqui deixo.

Alguns já leram o livro, outros já viram o filme e outros, ainda, já fizeram as duas coisa ou coisa nenhuma. Não importa. O que importa é que mesmo sendo "cegos" consigamos ter o descernimento de "ver", porque há imagens (pessoas) que nos marcam para sempre.

Leite Ela, Manteiga Milhafre, Queijo Terra Nostra II

(continuação)
-Olá, Juliana!
-Olá...
-Já fui pôr o meu filho a casa, agora podemos conversar sossegados. Quer que lhe conte tudo sobre o DCA?
-Quero saber quem é o Jorge e o tal cruzeiro...
-Então aceita tomar um café? Vamos ali prás esplanadas...
-E o queijo, não me compra o queijo?
-Meu doce, queijo só Terra Nostra, e leite só Ela.
-Ela quem?
-"Ela" é uma marca de leite açoreano, entendeu Juliana? O Jorge, um dia vai-a levar aos Açores, de barco, vai conhecer o DCA...
-De barco?! Que onda...
-Juliana, vamos tomar um cafézinho? Vamos?
(...)
-Juliana, preciso de arranjar umas 100 moças como você para irem fazer companhia aos meus colegas do DCA no próximo cruzeiro.
-Mas qual cruzeiro, o que é o DCA?!
-Meu doce, há 29 anos, por esta altura, eu soube que tinha sido colocado no DCA. Nunca pensei que isso iria marcar a minha vida tão profundamente! Como deve calcular, fiquei ansioso, telefonei para lá e disseram-me que as aulas só iniciariam em Janeiro. Fui à TAP, e marquei a viagem, mas só consegui lugar no dia 5 de Janeiro de 1980 num avião que ia para Boston e fazia escala em Santa Maria.
-Em Santa quê? Não estou a entender nada...
-Ai minha querida, espero que o Jorge não se importe que eu a trate assim! Santa Maria é uma Ilha dos Açores... não fique ansiosa... quer outro café?
-Não, só quero entender o que é que tu foste fazer para os Açores. Posso tratar-te por tu?
-Claro meu bem, podes tudo... ai se podes! Agora que somos amigos deixa-me contar-te como fui parar ao DCA, quem é o Jorge e o que é que o cruzeiro tem a haver contigo...
TELEFONE
-Pai, onde estás?
-Estou no Cascaishopping, porquê?
-Ó pai, voltaste pró shopping para quê? Não vens jantar?
-Ó filho, já vou para casa, hoje só me apetece uma sandes de queijo com manteiga e um leite achocolatado Ela...
(...)
-Desculpa Juliana, onde é que eu ia?
-Ias prós Açores, mas eu tenho que ir para casa...
-Ah, está bem, podemos ver-nos amanhã?
-Podes...
-Então até amanhã, aqui à mesma hora! Sim?! Beijinho!
(continua)

sábado, 29 de novembro de 2008

Colheita de 1992/1997


Grande colheita a deste ano!
Tantas vezes me têm pedido para postar, que enfim, decidi-me.
Na verdade, e como já tive oportunidade de referir, não possuo o dom da escrita, mas estas fotografias inspiram-me!
Tanta gente que nunca mais vi. Tanta gente que partilhou comigo os melhores anos da minha vida. Sim. Os melhores anos da minha vida, porque como eu costumo dizer, comia, bebia, fumava, ...., e o meu pai pagava.
Destes anos, só me arrependo do que não fiz e olhem que não fiz pouco. Até cabulei!
Por falar em cábula, tenho algumas engraçadas para contar, mas tenho dúvidas se os "crimes" já terão prescrito. Mas se a EDA não apareceu para processar quem adulterava os contadores, não me vão retirar o diploma, pois não?
Um dia, borrei-me todo. Aguardávamos no corredor pelo professor. Tinha a cábula dentro do maço de tabaco e este aparece e crava-me uma cigarro. Passei-lhe o maço para a mão (obviamente que eu tremia que nem uma vara verde), ele tirou um cigarro, que me prontifiquei a acender e devolveu-me o maço! Ainda hoje me pergunto se terá visto!?
Passemos a diante.
Estas fotografias são da nossa noite de glória, a noite em que cortámos o cabelo aos caloiros e da nossa consumação como engenheiros, o dia da bensão das pastas.
Mas no fundo, o que eu queria mesmo, era que estas fotografia motivassem a malta que nelas aparece a participarem neste blog, a que já alguém chamou de sala de convívio e certamente que quem conviveu na sala de convívio da Terra-chã, percebe o valor dessas palavras. Sei que alguns acompanham o blog, mas nem um pio dão.
Porquê? Não sei. Mesmo para esses, um grande abraço.

Leite Ela, Manteiga Milhafre, Queijo Terra Nostra I

TELEFONE
-Pai, onde é que tu estás?
-Estou a entrar no supermercado, estive a despender 2 euros no euromilhões, já compraste o pão?
-Dois euros, pai?!
-Pois, não se pode jogar só com um... onde é que tu estás?
-Na fila do pão.
-Já aí vou ter contigo, mas antes vou à secção dos queijos.
(...)
-O senhor não quer experimentar estes queijos?
-Ah menina, têm boa aparência, posso provar?
-Então que tal?
-Bem... como é que se chama, menina?
-Juliana!
-Olhe Juliana, tenho um amigo em Ponte de Lima que anda à procura de uma parceira para ir no cruzeiro, tem é que ser bonitinha e novinha como você... 17, 18 anos...
-Eu tenho 18 anos. Qual cruzeiro?
-Ó minha filha, é uma longa história... tudo começou ainda você não era nascida. Já ouviu falar no DCA?
TELEFONE
-Pai, onde é que tu estás?
-Ó Francisco és um chato, estou aqui nos queijos a falar com a Juliana.
-Qual Juliana?
-Ó filho, é uma longa história, é a futura companheira de viagem do Jorge. Vem cá ter comigo e deixa-te de andar sempre a telefonar, tens que ser mais poupadinho...
(...)
-Não quer provar deste outro queijo, é tipo flamengo?
-Ah minha querida, queijo flamengo só Terra Nostra. Desde o meu tempo de DCA que só como queijo Terra Nostra.
-Mas o que é isso do DCA? Quem é o Jorge? Que cruzeiro é esse?
-Minha querida, tudo começou há 29 anos, quando eu entrei para o DCA...
-Pai, atão...
-Francisco, já compraste a manteiga Milhafre?
-Poça pai, sempre a mesma manteiga...
-Juliana, espere aí um pouco que eu já lhe venho contar tudo sobre o DCA, o Jorge, o cruzeiro.
(continua)

A propósito da Manif...


Pois...
esta manif até teve direito a quadras; a música, bom, quem não a conhece ... "estava a assar sardinhas com o lume a arder, queimei a ...."
beijos e abraços!


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Enigma

Alguém sabe explicar o que é que este Senhor Engenheiro, fundador da Associação de Antigos Alunos de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, está a fazer deitado no chão de uma cozinha?Ficou resfriado?
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