
A reflexão eterna de um mortal passa por saber o que o outro tem, o que o outro quer, o que o outro pensa!
É nessa angustiante razão adquirida ao longo dos séculos que nos agarramos para justificar actos que não profetizam liberdade… não, não somos livres!
Somos apenas uns bandalhos, uns farrapos desta sociedade que quer saber tudo acerca de nós e, simultaneamente, nos oculta de forma tão obstinada e obscura o que realmente nos faz felizes – a nossa vontade!
Vem a Igreja e reclama verdade, confiança, fraternidade, igualdade…
Vem o governo e reclama justiça, equidade, democracia…
Vem o amigo e reclama fidelidade, lealdade…
Todos juntos somos a sociedade que não é nem verdadeira, nem inspira confiança, é desigual, não é justa, não é leal, não é democrática…
Somos afinal filhos de uma sociedade em que o todo não é igual à soma das partes – um mistifório que nem a matemática consegue explicar!
O que queremos para nós afinal? Queremos uma sociedade desmembrada mas onde aqui e ali vamos encontrando o nosso Zénite ou queremos uma sociedade una e onde essa unicidade seja o antípoda da verdadeira vocação de cada um de nós?
Não conseguem, por mais leis que façam, amestrar o código genético de cada um, ainda para mais quando essas leis são feitas por alguém como nós que se apresenta geneticamente… singular!
Eu quero fazer a sociedade tal qual eu a concebo e não viver na concepção do outro… bem sei, sou tolo e almejo o impossível. Sim, mas alguém teve a felicidade de um dia, em outros tempos que fosse, de ter vivido na sociedade que idealizou – só porque mandava! Também quero mandar!
E tu? Como vais? Vais bem ou vais andando? Vais andando, não é? Tal como eu e os restantes energúmenos sociais – vamos andando, vamos andando…
Foi aí que entrou Deus! Entrou como contra ponto desta sociedade que em nada é social e, desta forma tudo corria bem, até que ele decidiu morrer e deixar ao poder dos homens a decisão das suas próprias vidas – foi o descalabro! Ainda apareceram uns quantos (Deuses) a tentar pôr ordem e retribuir alguma dignidade ao viver social, mas, mesmos esses, ou se deixam corromper, ou desistem, ou se transformaram em ditadores: surgiu a democracia – ufa que alívio!
Estou de facto aliviado porque os democratas trouxeram uma nova ordem na qual eu me revejo e que prima acima de tudo a corrupção do ser e a preservação da alma! Agora sim, finalmente a genética está a vencer pois cada um faz o que Mendel fez – quando cruzo ervilhas amarelas e lisas com verdes e rugosas rugosas, em F1 todas são amarelas e lisas mas depois haverá por certo um quarto delas que é verde e rugosa (e se não for assim, façam de conta...), da mesma forma que quando cruzo um ditador ganancioso com um democrata burro haverá por certo a uma dada altura em que um quarto sai uma besta ganaciosa (democratas) e os restantes uns filhos da puta (ditadores)!
Seja como for, cada um segue os seus instintos e isso agrada-me, tenho pena é de não ter instintos… tenho sentimentos, e isso esta sociedade apregoa mas… casta, casta-os um por um como quem casta leitões por forma a que eles nunca cheguem a varrascos – só alguns, só alguns, eu não tive essa sorte!
Então porque me perguntam pela saúde se não me querem deixar viver? Será porque se eu andar moribundo já não vale a pena matar-me pois morrerei a curto trecho? Deve ser por isso, e assim a sociedade se vai consumindo nela mesma sem que os poderosos façam nada!
Filhos da puta… se não o são na sua ascendência sê-lo-ão por certo na sua vivência!
E ainda me vêm perguntar pela saúde…!