Ora meus caros e ilustres colegas,
para a minha estreia nas escritas do nosso "ponto de encontro", achei por bem trazer à "alembradura" uma das muitas loucuras vividas na Terceira. Certamente que alguns dos aqui escrevem já ouviram falar do dito javali endémico dos Açores... Pois meus caros, corria o ano de 1993, era a minha 1ª semana académica e de maluqueira em maluqueira, apareceu o Cidadão Fonseca (calóiro no mesmo ano que eu, embora com 50/60 anos de idade) com mais uma das suas ébrias ideias "... João, e se fizessemos um repasto em minha casa, na Cave dos Aviadores, para darmos as boas vindas à malta das Tunas que nos estão a visitar?". Ora, depois de uma ideia destas até me assustei, é que as Tunas nesse ano tinham muita gente... bem mas a coisa lá tomou caminho e toca de combinar a ementa do dito repasto. É então que surge a magnifica ideia de fazer JAVALI ENDÉMICO DOS AÇORES, um prato do agrado do tudos e ao qual poucos tinham acesso!!!!
Pois bem, para que tudo isto podesse funcionar faltava mão-de-obra, é aqui que entram em cena mais 2 vales e corajosos calóiros, que só fizeram o 1º ano na Terra-Chã, os amigos Nélson "BACO" e o Artur "ZAQUEU". Depois de combinarmos horas e de toda a logistica montada, lá fomos parar às 4.30 h da manhã (um frio do caraças) junto à praça de touros para nos encontrarmos com o Cidadão Fonseca e mais um "artista" das lides da Cave dos Aviadores. Até aqui tudo bem, o pior foi quando chegam os 2 numa carrinha de caixa aberta quase a perder a carroceria e a fazer um barrulho que dava vontade de fugir... O plano passava por irmos serrados dentro e encontrar um BURRO que, dizia o Cidadão Fonseca, tinha sido oferecido pelo seu amigo para a festa dos estudantes! Ok tudo bem, a malta é fixe e acreditou em toda aquela cena montada pelo Cidadão, o pior foi que em vez de 1 Burro, carregamos 3 (0s 2 que ficaram vivos ficam para outras postagens) !!!!!!
Bem, eu na minha ingenuidade ainda perguntei se não era necessário guia de tarnsporte para levar os animais, ao que me foi dito ..."pá, aqui sou lei, afinal fui candidato a Presidente da República pela FLA...", ups... pensei eu "este gajo é importante".
Depois de termos feito o transporte desta carga tão valiosa (afinal tratava-se de javali endémico), eis que surge a questão, "oh João, tu estás habituado a estas coisas de matadouros, será que te safas?!?!?"....
Pois é caros colegas, não vou entrar em detalhes, mas ao fim de 4 horas de trabalho, a carne do tão apreciado e raro javali endémico entrava em tempero para que nessa noite fosse servido com pompa o tal repasto de oferta aos colegas das Tunas que nos tinham ido presentear com as suas actuações.
Meus amigos, da carne só lhe senti o cheiro, o molho estava divinal, o vinho do melhor e a fresca nem se fala!!! De tão bêbados que estavamos, eu o Baco e o Zaqueu, fizemos KO técnico às 5 da tarde, acordamos era meia noite e aflitos tomamos uma banhoca de água fria, indo a correr para a casa do Cidadão Fonseca, cheios de fome.... mas.... esta coisa do mas é sempre uma chatice, imaginem vocês do javali já só restava a pele (esticada numa figueira nas traseiras da casa) e as ossadas!!! A nossa vingança foi por não nos terem deixado nada para comer foi chamar meia dúzia dos que lá estavam e mostram os restos mortais do dito BURRALI ENDÉMICO DOS AÇORES!!!
Com esta primeira postagem me despeço com um abraço e fortes saudações académicas
João Correia "MR"