Quem somos?
Hum?! Afinal, quem vocês pensam que somos? O facto de termos frequentado, por escassos meses, ou mesmo alguns anitos, ou até lá ter querido ficar pra vida inteira, as instalações da Universidade na Terra Chã, faz de nós alguma coisa que mereça reflexão?
Entendo, na minha cogitação elementar, que somos, todos os que aqui nos juntámos, indivíduos com vidas próprias, com carreiras profissionais distintas, com famílias constituídas, com novos amigos angariados ao longo da vida e, em virtude disso, uma inserção sócio cultural própria. Não somos nada mais do que o que já éramos antes de aparecer o blog que fala do nosso passado comum.
Poder-se-á deduzir então, que somos simplesmente um grupo de pessoas que teve um passado comum. Nada mais para além disso(.)(!)(?)
E aqui reside a minha dúvida: a frase, "Nada mais para além disso" deverá terminar com um ponto final, ponto de exclamação ou ponto de interrogação?
Sei que muitos irão comentar, mesmo sem o escrever nos comentários, que há toda lógica em colocar um ponto final. Dirão em resumo: "eu andei lá, conheci Fulano e Beltrano, mas já passou muito tempo, e não me sinto à vontade para reatar essas amizades longínquas, no entanto gosto de aqui vir ver as caras do pessoal, só isso. Ponto final."
Outros, notoriamente adeptos do ponto de exclamação, fugazmente visitaram o blog, muito raramente regressaram, para eles é um ponto de honra a exclamação de que nada de bom encontraram com este movimento de aproximação dos antigos alunos do DCA.
E dos que são adeptos do ponto de interrogação? Que pensarão eles da frase maldita? "Nada mais para além disso?" "Como te atreves, Marques"? Foi aqui que encontraram muitos que não viam há décadas, foram nestes convívios que arranjaram novos amigos, que de comum tiveram o facto e o "espírito" de terem estudado no DCA... e por aí adiante!
Mas a pergunta, mantenho-a: quem somos? E a resposta, sugere outra : se fomos, e somos, o que seremos?
Vem-me à memória, os programas de discos pedidos, aqueles telefonemas para o locutor a dizer "fui combatente na Guiné, companhia XXX/64, vamos fazer uma sardinhada em Sangalhos, peço aos camaradas de armas, desse ano, que contactem o Tó-Mané, furriel da companhia XXX/64." E lá aparecem vinte ou trinta barrigudos de boina a falar dos tempos da guerra.
Será esse o nosso futuro? Organizadores de "enormes" pic-nics?
" E é mau? Um enorme pic-nic na Terra Chã, antes daquilo fechar? Ou no Sul, ou uma vez ao ano como ficou estabelecido em 20 de Setembro de 2008 em Leiria?"
Quem somos? Quem organiza? Quem move a malta? Quem, voluntariamente, dá um passo em frente? Quem?
Sabemos já que há muitos dispostos a participar, desde que "alguém" organize! Tirei uma semana de férias, fui ao encontro do "alguém", não o encontrei, mas sei que o "alguém" existe.
Termino esta crónica quinzenal, uma vez em cada quinze anos, (felizmente), com um apelo ao "alguém": "alguém", porra, andamos desencontrados, vem cá dizer-me quem somos, o que seremos e organiza o tal encontro!
Eu vou!
J. Marques






