
Eram 5 da manhã e o som inrompeu pelo silêncio assustador do meu recanto notivago! O despertador, antecipadamente programado, badalou 3 a 4 vezes um som que jamais quereria ter ouvido, e, nesse repicar de sinos estridentes, fiz um sacrifício patriótico para me conseguir por de pé - consegui!
No bordo da cama e na borda da vida, esbafuri um ganir de cão raivoso para com a vida, o mundo e, principalmente a Europa!
Passei pela cozinha e peguei num pedaço de broa ressequida pela amargura do tempo e pela falta de fermento e sal e dirigi-me para o meu veículo... o meu veículo, transportador de um pedaço de amorfo sentir sem vontade alguma de partir... 80 km mais adiante era o meu destino!
Lá, na terriola onde Camilo escreveu nas margens do Tâmega, esperava-me uma mesa de voto para constituir, eu e mais 4!
Das sete às 20 horas lá fomos recolhendo cartões e revendo pessoas que só vemos de acto eleitoral em acto eleitoral e, nesses breves momentos circunstanciais, vamos disparatando algumas palavras gastas pelo tempo...
No final, e isso é que interessa, o resultado que mais surpreende, e que toda a gente fala, a abstenção, foi de 40,2 %, e voltamos ao mesmo: Afinal que legitimidade têm os que são eleitos se de facto o maior partido não tem assento em parte alguma?
Lá uns aparcem e dizem: - quem não vota não pode falar...
- pois, a malta anda desiludida...
- Todos os anos é a mesma coisa....
- blá, blá, blá...
Nós, os que estamos nas mesas, assistimos a pessoas que vão até à porta das urnas e não descarregam os votos, e, quando assim é, algo de grave, de muito grave se passa, e não me venham dizer que não!
Nem tão pouco me digam que a culpa é minha, pos eu vou lá (até porque me pagam para isso), por isso a culpa tem de ser de alguém e eu desdes já culpo os políticos que não cativam, não dão exemplos dignificantes, não pautam pela transparência, não..., não,... não fazem nada, é o que é!
A conjectura permite, mais que nunca chamar a si os arredios e mostrar o caminho, um outro caminho que poderemos triçhar todos, mas sinceramente com outra gente... isto é apenas um sinal que a massa não leveda porque o fermento já está sem vida - E QUANDO ASSIM É, JOGA-SE A MASSA FORA (senão perguntem aos padeiros...)!
E muito mais me ocorreria dizer, até porque se eles, os mesmos de sempre, podem opinar, então eu também posso, até porque passo lá o dia a meter o coiso na urna... (embora seja pago para o fazer)!