- Alvorada… toca a levantar suas antas…, Limacídeos! Bestas amorfas e pedaços de coisa nenhuma, são sete da manhã e o que o País espera de vós não é sonolência! Coragem, devoção, altruísmo! Palavras que por certo o vosso dicionário depauperado não contempla nas folhas alvas e mofas!
Assim, é o génesis de um ser que se quer fazer homem! As palavras brandas são educação falhada e, quando alguém puxa dos galões para mostrar a sua autoridade, aí sim, é modelo de educação sólida, promessa de futuro risonho...Assim queremos ser todos: audazes e firmes nas palavras, mesmo que magoemos, humilhemos, maltratemos aquele que poderia ocupar o nosso lugar…mas isso, agora, não interessa nada (alguém dizia), porque o que interessa é que eu estou aqui e tu aí.
Essa diferença de estado de seres semelhantes, levou a que se criassem classes, lobies, estatutos, guerras, o bem, o mal, o certo e o errado! Os homens são feitos de desumanidades, tenhamos isto como certo! Uns, apenas tiveram a sorte de sofrer menos desumanidades que outros e, como e por tal, são ligeiramente melhores.
Teorias, apenas teorias, que podem muito bem ser repudiadas por um outro ser que tenha capacidade pensante… assim se pretende: que o homem pense e diga o que pensa; que o homem se mostre mais…humano! Pensar é uma capacidade apenas de alguns. Os outros, os que também sabem pensar, mas apenas estão no lado oposto, esses que se calem porque a sua voz nos irrita e nos pode causar certos…desconfortos (?).
Assim surgiu a autoridade, a censura a calunia e a oposição calada e amordaçada que, a bem ver das coisas, prestava melhor serviço às Nações que esta de hoje que fala, fala, fala e … não diz nada (o que não se aplica ao publicitário desta conhecida frase…).
Então, a entidade divina, o ministro de galáxias (da terra e dos céus), ocultas na nebulosa pasmaceira do tempo cósmico, elevou-se perante tudo e todos e disse: - Doravante, todos os lugares, todos os seres, todos os reinos terão um ser que os governará e a ele será prestada vassalagem. Esses serão os meus desígnios; que perdure até ao juízo final de cada um… seja feita a minha vontade e daqueles que serão designados para chefes dos ministérios; a sabedoria acompanhá-los-á, e vós estareis mais bem entregues a eles do que a vós próprios.
Bom, assim o tempo foi passando e com ele os milénios. Quando um se achava superior àquele que governava o ministério, lá se instalava uma guerrazita nas redondezas. Depois de algumas mortes, sempre úteis para renovar os stocks humanos e imprimir uma nova dinâmica na adormecida sociedade servil …. Impostos, impostos e mais impostos para refazer o que a guerra tinha destruído (também é por isto que acho que o 25 de Abril apesar de tudo, correu mal).
Em tempos, nós, que fomos os maiores, por esses mares e marés e até fomos bons a enviar mensageiros, espiões e exploradores antes das expedições – sabíamos planificar – agora, depois de tantos anos, ficamos adormecidos nesta pasmaceira e já nem a mais vil das guerras – a concorrência – nos faz acordar, no entanto, verdade seja dita, alguns lemas imutáveis nos acompanham: - impostos, impostos, impostos…Assim é o nosso ministério com ministros de canudo dourado e debruado à mão (à mão daqueles que depois se revelam manetas – aqui que surjam lágrimas, teremos que sofrer com os sofredores!).
Somos dos países que menos impostos cobra mas que mais taxa (ou tacho). De facto a percentagem é menor que em muitos Países, mas nesses países onde se cobram impostos muito altos, o estado promove tudo e o nosso, bem o nosso não passa de um estado sugador de bolsos já de si vazios (não promove a saúde, não promove a educação, não promove o desenvolvimento, não promove o emprego, não promove a auto estima e não se promove enquanto país da Europa moderna e avançada). Que caiam de podres as minhas palavras mas, com a entrada dos novos países para o espaço comunitário na sua plenitude, nós, seremos cada vez mais marginais e desprezados. Seremos ultrapassados por aqueles que hoje são o centro das atenções, o centro da Europa. A Europa será encurralada entre um País colossal como a Espanha e a Polónia e entre esta ocidental barreira e a oriental miragem, seremos espectadores por cima de um muro intransponível que se afirma como Ibérico, mas no final, são os maiores nacionalistas e patriotas de todo o mundo (ai Afonso, Afonso, para que bateste na mãe?).
Resta-nos o turismo e até aí falhamos redondamente!
Entre o bem e o mal, lá se levantou um deles que disse… vamos conjugar esforços e fazer desta união uma união nacional para que estejamos alguns bem, isto para o mal de todos. Foi desta reunião magna que surgiu um poder instituído por meia dúzia de bem mal feitores da democracia que tudo fazem para que o desenvolvimento das sociedades se estagne neste cais de pasmaceira que é o nosso Portugal!
Entre este maniqueísmo de devotos servos de Deus e do Diabo, surge um que é o maior deles todos, não na essência do cargo, porque esse foi criado despretensiosamente pela entidade criadora, mas na essência do ser humano que tem ocupado esse cargo ao longo destes anos todos – os ministérios!Fortes ministérios com fracos ministros e assim, o bem e o mal contrariam a doutrina e coabitam no mesmo espaço, mesmo debaixo do nariz de um Santo!
Por isso, já não há paciência, são todos uma cambada de incompetentes e só me apetece dizer: - saiam daí, vão todos pro raio que vós parta, que para lugares vazios também se arranjam cabeças, e essas ao menos que sirvam para pôr chapéus, que nas vossas nem os piolhos querem construir ninhos!
Sais de Carvalho